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quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Ceifeira (a um quadro de Silva Porto)

( imagem tirada da net)
Silva Porto (1850-1893) foi um pintor português a quem é atíbuído o início do naturalismo em Portugal. "Usou" a natureza como principal motivo de inspiração. Daí que de muita cor e luz se encham as suas telas.

Da primeira vez que vi trabalhos dele, este particularmente que se chama "As Ceifeiras", escrevi o poema que aqui deixo hoje.


De ti se agarra à terra
A seiva feita suor
Do corpo que sobre a terra dobras
Cortando o trigo
Ceifando até à última espiga
Duramente
Debaixo desse sol que te castiga

Por ti escorre a água
Que do céu cai
E te encharca até à alma
A água
Acompanhada por esse vento
Que em força te fustiga

Na terra
Se concentra o pó e a água
Que enquanto trabalhas
Se te cola aos pés
Comprometendo-te para a vida

43 comentários:

antonior disse...

Minha querida Maria Besuga,

Como consigo compreender esse teu sentir as cores e os aromas que vivem nesse quadro. Vês o teu Alentejo nessa planície salpicada de árvores que poderiam ser azinheiras ou oliveiras. Vês a heroína alentejana levemente escurecida pelo sol forte e pelo calor do trabalho árduo.
Vês as memórias que amas e que guardas zelosamente em ti para que perdurem, porque são a tua essência, os contornos da tua identidade.
É a magia da Arte. Aquela que se consegue nas representações da Vida dem deformações nem concessões de ilusórias busca da alma das coisas onde ela se não pode encontrar.

Um grande beijo com amor-

Osvaldo disse...

Olá Maria;

Adorei a pintura de Silva Porto. Já vi algumas obras do autor, mas confesso que ainda não "aprendi" a conhecer seu verdadeiro estilo. Mas sem dúvida que será algo que acontecerá em breve.

O poema que dedicas à pintura, é maravilhoso mas bem mais maravilhosa é a homenagem que prestas às "Ceifeiras" do nosso país, que "ceifando até à última espiga, duramente, debaixo desse sol que te castiga",... Isto é simplesmente, belo!.

Bjs Maria,
Osvaldo

Je Vois la Vie en Vert disse...

QUERIDA BESUGA,

Conseguiste harmonisar com as tuas belas palavras as imagens deste quadro que representa uma raridade porque as máquinas já invadiram os campos e a ceifa manual já não existe.

Beijinhos da

Verdinha

Maria disse...

Girassol, amiga:
Belo poema a sublinhar um belo quadro.
Conheço o quadro e o teu poema tem tudo a ver com ele.
Força amiga. Continua.
Beijinhos de cá para aí

Anónimo disse...

Parabens pelo belo texto poético. Tenho a felicidade de um dos meus livros ter essa capa. Chama-se «De súbito» e foi editado em Leiria pela «Diferença». Porreiro, Mirita. a)JCF

Laura disse...

Um quadro
de cores envolventes
Quentes
Como as do teu Alentejo
Ardente
Ceifeiras cansadas
Da árida luta
Para ganhar o pão
O pão que custava tão pouco
E as fazia voltar
Dia a pós dia
Ao trabalho ingrato
Onde lhes pagavam
Uma ninharia !...

Belissimo quadro e belissima a tua Poesia!... Minha querida alentejana, que sentes da terra a mordomia, porque nasceste lá, nas terras suaves e quentes que me fazem lembrar a minha África amada...
Um beijinho para ti, da, laura..

João de Sousa Teixeira disse...

Entretanto, transpiravam os corpos secando por dentro à míngua de água. As gargantas e os lábios ficavam ásperos como cortiça.
A "aceifa", no entanto, continuaria até o sol se espraiar no horizonte.
-Cheguem a quarta, que estas mulheres já estão como as palhas!...

Bom dia
João

Sangue é vida que se Dá disse...

Ó minha querida Maria, como sairam em harmonia com o quadro estas palavras tao belas,disto falo eu ,que vivi as ceifas,o calor o suor a sede que me matava,do nascer ao por do sol,tudo o que esse belo quadro imerge á nossa vista ,sim vivi,o quadro é lindo , e neste poema tu o tornas-te ainda mais belo ,sao palavras vividas,em que saboreei e recordei minha juventude tórridabeijinhos até breve.

Lídia Borges disse...

A pintura e as palavras em harmonia plena.

Um beijo

Vieira Calado disse...

Um feliz casamento:

poema e pintura.


Saudações minhas

© Piedade Araújo Sol disse...

a tela é muito bonita e tu conseguiste fazer um belissimo poema.

meus parabens!

beij

Andradarte disse...

Estive a semana passada no Porto,
e numa visita cultural, vi este e outros quadros de Silva Porto.
Obrigado pela visita e convido-a a ver
o outro Blog, pois temos actividades
parecidas.Ficarei seguidor,com prazer.

lupussignatus disse...

os frutos

do

sol

Fragmentos Betty Martins disse...

._________querida Maria Bezuga




adoro o estilo_____as cores e a luz - de Silva Porto


fiz alguns trabalhos sobre a sua obra - inspirada na natureza




___________///




o teu poema



é uma beleza________...




_______não são precisas mais palavras______[...]










beijO____terno
bFsemana

Graça Pires disse...

O quadro é lindíssimo e o poema está em verdadeira harmonia com as imagens. Muito belo.
Um beijo.

lili laranjo disse...

Mariabesuga

gostei de a ver no meu cantinho.
Gostei de ver que os sonhos sãO DE TODOS NÓS.
E eu sou de não baixar os braços a+pesar de as doenças me pregarem partidas tenho sido mais forte que elas...

Deus tem-me ajudado .
Vi que a Arte é a sua paixão e como é a minha temos muito em comum...
deixo um beijinho e...


SONHAR


O sonho é lindo
O sonho é imaginação…
Eu sonho…
Não sei o quê…
Mas vou sonhando…
E acordada…
Sonho e imagino…
Imagino o mundo…
Ás cores e lindo…
E tu…
No meio do sonho…
Ficas lindo e colorido…
Com as cores…
Da sinceridade e da lealdade…
Mas como é sonho…
Ficamos, apenas por aqui!...




Lili Laranjo

Vieira Calado disse...

Bom Domingo!

Bjs

Filoxera disse...

O quadro lembra um de Van Gogh cujo título não me recordo agora. O poema ligação directa ao quadro.
Gostei do blogue.

Graça disse...

Adorei as palavras deixadas lá no meu "palco" e que me permitiram chegar aqui. Vou ficar mais um pouco. Obrigada.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Besuguita

Silva Porto não tem o reconhecimente que lhe é inteiramente merecido. Não sei bem porquê, mas esta é a minha opinião. E mais vale ter uma opinião (mesmo que menos certa) do que não ter nenhuma.

A Ceifeira tem luz, tem calor, tem força. E a tua poesia acompanha os traços firmes do pincel. Tu viveste a Ceifeira e daz dela, em poema, o que ela significa.

Convenceste-me. Tal como o Silva Porto.

Qjs

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...Desde mis HORAS ROTAS,
y AULA DE PAZ
un afectuoso abrazo y
cariño compartido
siempre desde el alma
saludos
de amistad:
---Jose Ramon---

mariabesuga disse...

ANTONIOR
Verdade que é o meu sentir e não mais que isso. Aliás, de sentires me construo desde que me lembro, sempre do lado de dentro para o lado de fora da existência. Para partilhar, portanto. A partir de certa altura passaste a acompanhar o meu caminhar, logo os sentires, e é muito bom saber que me entendes. Não precisamos ser iguais na forma de nos construirmos, só na forma de nos entendermos. É aí que reside o todo que somos. A magia de que falas é de nós. Por isso procuramos a alma nas formas de arte em que tentamos traduzi-la, à alma.
O meu beijo sempre

OSVALDO
Pois Osvaldo, os trabalhos do Silva Porto são muito cheios das cores e luz da natureza, sua maior fonte de inspiração.
O poema foi inspirado no quadro. Verdade que já não há ceifeiras mas eu que vivi conhecendo a realidade da sua existência ainda funciono dentro da memória dos dias que já não são. Neste caso, as ceifeiras que já não existem merecem-me esta homenagem, se assim lhe quisermos chamar.
Obrigada Osvaldo pela forma de sentires os meus “sentires”.
Um beijo

JE VOIS LA VIE EN VERT
Bom dia “Verdinha”
Digamos que sempre estamos em harmonia, às vezes pode é não acontecer em sintonia. Mas a sério, obrigada por gostares das minhas palavras que não teriam acontecido sem este trabalho do Silva Porto. Ele retrata as mulheres ceifando, antes da invasão das máquinas, como dizes. Hoje já nem umas nem outras existem. É aquilo a que chamam de progresso e não sei bem se me convence.
Beijinhos alentejanos

MARIA dos Alcatruzes
Já não há ceifeiras, Maria, mas a ligação do poema com este trabalho do Silva Porto existirá sempre porque foi o que senti ao conhecer esta obra. Acontece-me muitas vezes.
Beijinhos para vocês dois, Maria

ANÓNIMO José do Carmo Francisco
Ora ora se tens!... Pois tens um livro com este quadro na capa. E editado mais perto daqui que daí…
Mas parece-me que até já conhecias este poema.
Porreiro JCF
Obrigada
Bj

LAURA
Pois nasci em terras quentes do Alentejo que carrego dentro de mim como um mimo. Doce memória!... Gosto de desdobrar as memórias, de me fazer vida dentro delas… Tu sabes isso de mim.
Beijinhos nina das résteas

JOÃO DE SOUSA TEIXEIRA
Pois entretanto sim, João, que agora, de há muito, já não porque já não existem. Guarda-se a memória em trabalhos como este do Silva Porto que em boa hora a eles se dedicou para nos fazer não esquecer.
…E trabalhava-se até se ficar pior que o que restava depois de seara ceifada… o restolho.

SANGUE É VIDA QUE SE DÁ
Minha mana Maria Rosa que tanto foi ceifeira ao tanto sol e calor tórrido do Alentejo. Trazes, que eu sei, também a memória do tempo em que estes trabalhos te faziam os dias... É também para ti este poema.
Beijinhos meus (Mirita ou Francisco…)

LÍDIA BORGES
Foi na pintura que deixei o olhar e tirei os sentidos nas palavras que escrevi a partir do olhar que lá deixei. Talvez daí a harmonia, Lídia.
Beijinho

VIEIRA CALADO
Todos os casamentos fossem felizes assim, Vieira Calado!... Aqui é uma questão de sintonia entra o meu olhar e as palavras expressas que tirei do sentido da pintura.
Abraço e obrigada.

PIEDADE ARAÚJO SOL
Obrigada Piedade. É só a minha forma de traduzir os sentidos. Neste caso, os que da pintura do Silva Porto passaram para o poema…
Beijinho

ANDRADARTE
Pois seja bem vindo José a este meu recém (re)criado espaço. Nele pretendo expressar e partilhar a minha forma de olhar e de sentir nas vertentes possíveis as artes em que estou envolvida. As que pratico e as que simplesmente observo. Encontrar-nos-emos então por aqui.

mariabesuga disse...

LUPUSSIGNATUS
O fruto do meu sentir.
Os frutos do Sol do Sul…
Obrigada!

FRAGMENTOS BETTY MARTINS
Querida Betty
Obrigada pela partilha nas palavras, sim, precisas... Eu gosto muito desta peça em particular, por me ter inspirado, talvez…
Beijinho

GRAÇA PIRES
As palavras são de mim o sentir de dentro da tela. Belo pode ser por ser simples…
Obrigada, Graça
Beijinho

LILI LARANJO
Um sorriso para ti nas palavras que podem ser poemas.
Partilhemos a poesia, os sonhos, nas palavras…
Beijinho
mariabesuga

FILOXERA
Van Gogh talvez pelos temas a ver com a natureza. Talvez a parecença seja com o da sesta em que na hora da força do calor os ceifeiros fazem a dita sesta, precisamente.
O poema nasceu da relação directa com o quadro.
Espero que volte para continuar a gostar ou não tanto algumas vezes mas sempre com espaço para deixar opinião.

GRAÇA
Bom que as palavras que deixei no seu palco, onde me senti bem, a trouxeram aqui. Bom também ter tido vontade de ficar mais um bocadinho.
Eu é que agradeço a presença e espero a visita mais vezes.

HENRIQUE ANTUNES FERREIRA
Certo! Mais vale opinar ao que sentimos que não opinar nada com medo de fazer má figura.
Silva Porto é de outros tempos… hoje reconhece-se como arte tanta coisa duvidosa até em termos de conceito. Mas chama-se-lhe precisamente “Arte Conceptual” e está assente e instalada e é o que “comemos”.
A luz e o calor da ceifeira é o sinal de que Silva Porto fez um trabalho mais que perfeito e conseguiu passar para a tela a Alma da ceifeira.
Quanto ao poema, nasceu da tentativa de passar da tela para o papel a Alma que junto com a que carrego traduzissem em palavras a força do esforço da ceifeira. Convenci-o, meu amigo?!... ainda bem pois é essa a intenção da mensagem poema
Queijinhos agradecidos.

JOSE RAMON SANTANA VAZQUEZ
Obrigada por seu abraço e sua visita.
Visitarei seus lugares também para partilhar sentires…
Leio espanhol mal não falo nem escrevo. Podemos ainda assim comunicar pois lendo nos entenderemos.
Obrigada/Gracias
Um abraço.

Nilson Barcelli disse...

Uma magnífica visão poética da pintura e do Alentejo das espigas e do sol que castiga.
Gostei imenso.
Beijo.

Andradarte disse...

Obrigado pelas suas visitas.
Beijo

Conceição Duarte disse...

Maria, obrigada por estar por lá... É sempre um presente ter um seguidor! Estarei aqui atenta a você também.

Quanto ao quadro do seu post, ele é maravilhoso e o poema também.

Um grande beijo e meu carinho, CON

meus instantes e momentos disse...

lindo blog. Bom de ver e ler. Gostei daqui.
Maurizio

Kim disse...

Olá Maria! Já percebi que aí por casa a arte anda maritalmente de mãos dadas com a poesia.
Se não for a poesia que alguns se lembram de dar à vida, então o mundo é mais tristonho.
Parabéns!

Laura disse...

Olá nina Besuguinha

Pintar
Escrever
Barro olado
Pinceis em tinta
Espátulas metálicas
Telas pensadas, estudadas
Trabalhos chamados artesanais
Levam-nos através dos mundosiderais

Um beijinho da tua nina das resteas, que ama, amará sempre o Ser maravilhoso que és, e, todos em teu redor..laura.

Ana Oliveira disse...

Maria

Vim agradecer a visita que me fez.
Conhecer este seu espaço foi muito agradável.
"As Ceifeiras" é um dos belissimos trabalhos de Silva Porto e as suas palavras completam perfeitamente a imagem.

Um beijo

Ana

Laura disse...

Um beijinho apenas... laura.

© Piedade Araújo Sol disse...

vim ver se tinha post novo.

reli.

deixo um beij

Sofá Amarelo disse...

Ceifeira bonita, ceifeira do campo, consegues o pão com suor e com pranto... (Paco bandeira)

mariabesuga disse...

NILSON BARCELLI
O Alentejo é ele todo uma visão poética. Continua lá o sol que nos castiga já não somos é assim castigados por ele...
Obrigada por gostar
Um beijo

mariabesuga disse...

ANDRADARTE
Não deve agradecer-me José. Vou sempre que posso passando de visita mais ou menos prolongada por onde posso...
Um Beijo

mariabesuga disse...

CONCEIÇÃO DUARTE
Bom que gostou daqui, Conceição e resolveu seguir-me também... Sabe bem sabermos que do outro lado há quem esteja atenta/o a nossos novos trabalhos
Obrigada e meu beijo para você.

mariabesuga disse...

MEUS INSTANTES E MOMENTOS
Olá Maurizio
Gostei que você tivesse gostado do meu espaço. Apareça sempre que o tempo lhe permita.

KIM
Ora Kim a arte está em toda a parte mais ou menos, com os conceitos que por aí há espalhados... mas aqui andam de facto "casados" a pintura, a escrita, a fotografia, a escultura (ainda só em barro), etc...
Tudo são actividades em que pomos a Alma... a Poética dos Sentidos, portanto.
Obrigada por ter vindo
Um abraço

mariabesuga disse...

LAURA
Nina das Résteas
Obrigada Laurinha por me trazer aqui seus poemas. Eles são sua vida, seus dias e suas horas de tudo. Gosto de partilhar poesia contigo, Laurinha. Tu sabes.
Beijinho Beijinho

ANA OLIVEIRA
Ó Ana não me agradeça a visita que também vim gostando muito do seu lado. Assim vamo-nos conhecendo e trocando sentidos e isso é bom neste tempo em que é tudo tão a correr...
Um beijo deste para esse lado

mariabesuga disse...

PIEDADE ARAÚJO SOL
Pois não tinha post novo mas agora já tem, Piedade.
Por acaso eu por vezes volto aos sítios de propósito, ao seu por exemplo, para reler...
Beijinho

mariabesuga disse...

SOFÁ AMARELO
Alexandre não me digas que ainda és do tempo em que o Paco apareceu com esta canção?!...
Obrigada por lembrares...
Aparece sempre.
Beijinho

argumentonio disse...

vai sensível mas forte, o poema!

mas é de facto relevante a ideia de colar (brotar?) as palavras à obra plástica, a um tempo de interesse estético e busca de complementaridade!!

agora: sinto que há um momento especial na revelação de um compromisso que liga o ser à terra ou vice-versa, no verso colado aos pés da ceifeira...!!!

;->>>

argumentonio disse...

a quem possa interessar: a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves tem diversas obras de Silva Porto

(http://blogdacmag.blogspot.com/)

fica em Lisboa, na Av. 5 de Outubro, nº 6, num palacete em frente à entrada principal da Maternidade Alfredo da Costa e vale muito a pena pela coerente e extraordinária colecção de objectos decorativos, mobiliário, peças de porcelana e obras de arte, essencialmente pintura

paga-se a entrada (3€ e há as habituais situações de desconto) e fecha à segunda-feira e à terça-feira de manhã

mariabesuga disse...

ARGUMENTÓNIO
Vai o poema ao jeito da minha memória.
Junto o quadro e o poema porque um nasceu do outro por inspiração. Assim com as fotos também...
Aqui... nas palavras selo o compromisso da ceifeira com a terra.
Já não há ceifeiras... resta a memória.
Um abraço